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A tradução como obra de arte

 

Erro em tradução faz Mônaco adiar julgamento de Cacciola

Nova versão dos documentos enviados pelo Brasil será paga pelo governo do principado

 

 Romeu Tuma Jr., secretário nacional de Justiça, afirma que governo aceita decisão ‘com naturalidade’ e que confia na Justiça de Mônaco.

 

Erros na tradução dos documentos enviados pelo governo brasileiro à Justiça de Mônaco no processo de extradição de Salvatore Cacciola levaram ontem ao terceiro adiamento seguido da audiência para definir o destino do ex-banqueiro.

 

A Corte de Apelações (tribunal que vai julgar o pedido de extradição de Cacciola) determinou que seja feita nova tradução do português para o francês, com base nos originais desta vez paga pelo governo de Mônaco. “A tradução não é boa, certas expressões estão confusas”, disse a procuradora-geral do principado, Annie Brunet Fuster: “Isso vai custar caro”.

 

A defesa de Cacciola, que pediu novo adiamento, foi mais incisiva nas críticas. É como se tivessem colocado numa dessas páginas de tradução da internet. Não se entende nada. E uma tradução incompreensível’, disse Alessandra Mocchi, que faz parte do time da defesa do ex-banqueiro. Seu colega monegasco, Franck Michel, chegou a cogitar que a tradução tivesse sido feita por leigos em assuntos jurídicos.

 

O representante do governo brasileiro ontem, em Mônaco Rafael Favet, admitiu que a tradução foi feita às pressas, mas reduziu as falhas a possíveis dúvidas técnicas. “Não havia tempo hábil, então dividimos as mais de 500 páginas entre equipes”, disse Favetti, Consultor jurídico do Ministério da Justiça. Enviado pelo governo para acompanhar a audiência de ontem, o próprio Favetti, que não participou da tradução, não fala bem francês.

 

Segundo ele, a principal dúvida deve ser em torno da palavra “peculato” – crime de  utilizar-se do cargo público para apropriação ilegal de dinheiro, como Cacciola não era funcionário público, a Justiça de Mônaco não entendeu por que ele é condenado por esse crime. Favetti disse que, no Brasil, a condenação em casos de peculato se estende a todos os envolvidos, como é o caso de Cacciola.

 

A Corte considerou a tradução insatisfatória e marcou a próxima audiência para 31 de janeiro. Espera-se que a nova tradução esteja pronta por volta de 20 de janeiro, o que dará dez dias para que os documentos refeitos sejam analisados. Os três Juizes da Corte deixaram claro que não vão autorizar novo adiamento. “Não são manobras protelatórias. Só queremos que os juizes entendam o caso”, declarou Mocchi.

 

A realização da audiência para analisar o processo é fundamental para a continuação do caso. Depois disso, será uma questão de dias até a decisão final. Após a decisão do tribunal, o caso vai para a mesa do príncipe, que dá a palavra final sobre o processo. Em geral Albert 2° ratifica a decisão tomada.

 

O ex-banqueiro foi condenado no Brasil a 13 anos de prisão em 2005 por gestão fraudulenta de instituição financeira no mercado brasileiro e peculato.

 

O caso deu um prejuízo de 1,6 bilhão ao governo, que interveio sob a justificativa de evitar uma crise geral no mercado. Em 2000, quando o caso contra Cacciola já estava em andamento ele aproveitou um habeas corpus do ministro Marco Aurélio do STF, e fugiu para a Itália de onde não podia ser extraditado por ter cidadania italiana.

 

PEDRO DIAS LEITE

ENVIADO ESPECAL A MÔNACO

FOLHA DE S. PAULO, 7 DE DEZEMBRO DE 2007