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Má Tradução Constrange Presidente na Holanda

Lula é questionado a respeito de caso de holandeses

presos no Rio por pedofilia

 

Clovis Rossi

Enviado especial a Haia

 

Repórter quer saber opinião de Lula, mas intérprete local pergunta se Brasil vai pedir à ONU punição para Holanda por violação de direitos.

 

Uma pergunta de um jornalista holandês sobre pedofilia, destinada a causar embaraço ao primeiro-ministro Jan Peter Balkenende, acabou constrangendo seu colega brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, por causa da má tradução feita pela intérprete local.


O jornalista queria saber a opinião de Lula sobre o caso de dois holandeses presos no Rio de Janeiro, com material pornográfico infantil, mas que conseguiram sair do país e, na Holanda, tiveram penas leves (serviço social), ao passo que a Justiça brasileira os condenou (à revelia) a 17 anos.


Mas a pergunta, na tradução, ficou assim:


“Presidente, um tribunal no seu país decidiu que a Holanda deve ser punida na ONU por violação dos direitos da criança, no caso de holandeses que produziram material pornográfico usando crianças brasileiras. 0 seu governo vai fazer isso? O senhor falou com o primeiro-ministro sobre isso?”


Lula não entendeu (nem podia). Tanto que começou perguntando ele próprio se a pergunta era para ele. E emendou: “Não sei se a Holanda será julgada na ONU por conta de material pornográfico, se foi esta a pergunta feita para mim. Não tenho nenhuma informação de que a ONU vai julgar”.


Balkenende, então, assumiu a resposta para dizer, primeiro, que pornografia infantil “é terrível e repugnante”. Depois informou que a condenação dos dois foi motivo de apelação do procurador público. “Não é minha responsabilidade intervir num caso que está sendo apreciado pela Justiça”, completou. Enquanto o primeiro-ministro falava, o chanceler Celso Amorim passou ao Lula todos os dados da história, o que permitiu ao presidente informar que o governo holandês já pedira desculpas ao Brasil pelo fato de o consulado no Rio ter dado novo passaporte aos dois, após os originais terem sido apreendidos pela Polícia Federal. Graças aos novos documentos, os dois puderam deixar o Brasil, via Paraguai, retornando a Holanda.

 

Trecho de artigo publicado na

Folha de S. Paulo, 11 de abril de 2008