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A tradução como obra de arte

 

O intérprete das metáforas


Ferreira viaja com Lula há 17 anos

 

As imagens do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em conversas com outros líderes do G-20 em Londres, na quinta-feira, mostraram invariavelmente a presença de uma figura alinhada, de barba e cabelos grisalhos. Não se tratava de um ministro nem de um agente de segurança, mas do tradutor do presidente, o carioca Sérgio Xavier Ferreira, de 59 anos.

Há 17 anos ao lado de Lula em seus périplos Internacionais, Ferreira tornou-se um raro profissional capaz de traduzir, em tempo real, o vocabulário e as metáforas do presidente para o inglês. Em sua função, ele já foi além: tentou salvar seu chefe de constrangimentos, na África, e quase estragou a imagem de Lula com o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, no Palácio da Alvorada.

 

Em Londres, na semana passada, Ferreira alcançou o ápice em exposição pública. Com exceção das duas fotografias oficiais da Cúpula do G-20, apareceu ao pé de Lula, em especial nas imagens que mostraram o brasileiro recebendo elogios do presidente americano, Barack Obama, e ao lado de Brown. A exposição de Ferreira é fruto da necessidade. Lula não fala outro idioma, senão o português. No G-20, requisitava Ferreira quando era abordado em inglês, mas recorria a seu colega Lúcio Reiner, para conversas em francês ou espanhol.

 

Desde 2005, Ferreira acompanha parte das viagens internacionais de Lula como “convidado especial” da comitiva. Nos dois primeiros anos do governo, atuou como assessor especial da Presidência, mas desligou-se do posto. Desde então, passou a ser contratado pelo Cerimonial do Itamaraty, por meio da Global Multilingue, um escritório de interpretes sediado no Rio.


Lula costuma referir-se a Ferreira como o seu “dublê” para o inglês - e não intérprete.
Desde 1993, quando acompanhou uma visita do então candidato a Presidência aos Estados Unidos, Ferreira desenvolve familiaridade com o jeito de falar do presidente. Sua experiência no Sindicato dos Professores do Rio de Janeiro ajudou a construir a afinidade. Discreto, o intérprete é visto no Planalto como uma espécie de confessor -nem mesmo os assessores de Lula extraem trechos das conversas privadas que o presidente mantém com outros líderes.


No último dia 14 de março, em Washington, o intérprete ganhou elogios do presidente dos EUA, Barack Obama. Dois dias depois, valendo-se de dois microfones, Ferreira fez a tradução simultânea da entrevista de Lula ao jornalista Fareed Zakaria, da CNN. “Ele acabou com as versões consecutivas, que eram muito demoradas e tornavam os encontros entediantes. A tradução, agora, se dá em tempo real”, disse um colaborador.


Ele também atuou na conversa entre Lula e o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, no último dia 26. Ficou tão próximo que levou uma reprimenda, aos gritos, dos fotógrafos, na rampa da Alvorada.



O Estado de São Paulo, 4 de abril de 2009

Denise Chrispim Marim
Leonêncio Nossa
BRASÍLIA