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Tradutor juramentado tem por obrigação interagir com idioma estrangeiro

Uma das áreas em que o conhecimento técnico de uma língua estrangeira é fator determinante para sobressair-se na profissão é a de tradutor público e intérprete comercial, também conhecida como tradutor juramentado. E, para chegar a esse nível de interação com o idioma, por meio da atuação profissional, é preciso muito mais do que ter fluência oral e escrita.
O currículo necessariamente deve incluir a ética, o discernimento, a honestidade e qualidade na execução dos trabalhos. Isto porque, cabe ao tradutor público tarefas nada fáceis e de extrema importância, como destaca a tradutora Christina Paiva.
Ela informa que no Brasil, os documentos em língua estrangeira só são aceitos por repartições públicas, cartórios e em juízo, se forem traduzidos para o vernáculo por um tradutor juramentado. Da mesma forma, as versões feitas por tradutores públicos brasileiros são aceitas na maioria dos países.
O tradutor público e intérprete comercial também tem como função atuar como intérprete em juízo ou em cartórios quando um estrangeiro é convocado para prestar depoimentos.
A tradução feita por este profissional tem fé pública, quer dizer, a firma do tradutor público não precisa ser reconhecida em cartório.
No Estado de São Paulo, há aproximadamente 1.500 profissionais com esse perfil, segundo a Junta Comercial do Estado de São Paulo (Jucesp); em Sorocaba e região, 15 tradutores públicos estão em atividade e, além de fazerem tradução para o inglês, há quem traduza para o alemão (2), espanhol (5), francês (2) e italiano (1), de acordo com Christina.
Os tradutores juramentados contam com a Associação Profissional dos Tradutores Públicos e Intérpretes Comerciais do Estado de São Paulo (Atpiesp), que mantém um site na internet - www.atpiesp.org.br - com cadastros de seus associados, avisos e informações para os tradutores. Há também o Sindicato Nacional dos Tradutores (Sintra), site www.sintra.ong.org, que assiste a tradutores em geral, de forma semelhante à oferecida pela Atpiesp, detalha Christina.

Mercado de trabalho

Para ser tradutor público ou juramentado, não basta comprovar profundo conhecimento de um ou mais idiomas estrangeiros. É preciso, ainda, ser aprovado em concurso público. Foi o que aconteceu com Christina. Ela tornou-se tradutora juramentada em 2000, após aprovação em concurso público e ser nomeada tradutora pública e intérprete comercial pela Jucesp.
Segundo Christina, pode-se inferir que existe um grande volume de trabalho na área, em função do volume de exportações no país e o número de empresas multinacionais e empresas brasileiras que realizam negócios no exterior.
Ressalta, porém, que o tradutor juramentado, embora tenha prestado concurso público, não é considerado um funcionário público. Cabe ao tradutor definir os meios pelos quais irá conquistar clientes e mantê-los.
Por outro lado, a procura para tradução juramentada ou simplesmente técnica depende de vários fatores. Explica Christina que esta procura está relacionada à sazonalidade e pode acontecer, por exemplo, quando estudantes estão se preparando para uma viagem de intercâmbio e geralmente precisam de seus históricos escolares vertidos para o inglês.
Outra possibilidade de trabalho está ligada à situação político-econômica do país. Há aumento no volume de serviços quando o mercado externo está em alta e empresas que realizam negócios em outros países precisam de tradução de documentos, ou ainda, quando há necessidade de alterações na regulamentação de empresas que praticam o comércio internacional, diante de novas normas técnicas, entre outras situações, detalha a tradutora.
Ela informa que em 2004, a procura para traduções juramentadas ficou aquém dos anos anteriores, enquanto cresceu a busca por traduções técnicas para empresas e médicos, principalmente vertidos para o inglês.

Formação profissional

A função de tradutor juramentado pode ser exercida por profissionais das mais diversas áreas de formação. Um exemplo disso é a própria Christina. Ela é farmacêutica bioquímica, formada pela Universidade de São Paulo (USP), mestre em Nutrição de Plantas, pela Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz" (Esalq/USP) e fez os créditos para obtenção do doutorado em Genética, pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
Conta que tornou-se tradutora juramentada porque sempre gostou de fazer traduções, tendo começado a traduzir textos técnicos ainda na faculdade e, durante toda a carreira como pesquisadora científica, leu, escreveu e traduziu muitos textos em inglês. Depois, passou a fazer traduções técnicas para diversas empresas, especializando-se na profissão.
O conhecimento do idioma inglês é hereditário, destaca. A sua mãe é americana e falar nessa língua faz parte do seu cotidiano desde criança. Mesmo quando ainda não exercia a profissão de tradutora, utilizava o inglês com freqüência como pesquisadora, para participar de congressos, trocar informações com pesquisadores de outros países, para escrever e publicar artigos.
A "receita" para aperfeiçoar-se cada vez mais, segundo, Christina, é "brincar" com o idioma sempre que possível, não só no trabalho, mas em todas as circunstâncias do cotidiano. "Presto atenção quando um estrangeiro conversa comigo, ele é uma fonte de amostras do idioma utilizado no dia a dia", considera. Christina também acha importante a pessoa ter consciência de que não é possível saber tudo e recorrer a livros, revistas, dicionários, enciclopédias, textos diversos e, no seu caso, conversar com outros profissionais da área. (CV)

Matéria publicada no Jornal Cruzeiro do Sul - Sorocaba 31/01/05